““No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: “Senhor, quem creu em nossa mensagem?”. Conseqüentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.” (Romanos 10:16,17)

Como já temos falado ao longo de algumas semanas, esse ano a reforma protestante faz aniversário de 500 anos. Um dos grandes e mais famosos reformadores foi Lutero, que, de forma corajosa, argumentou contra o Estado e a Igreja da época, colocando sua vida em risco para defender aquilo que acreditava serem as reais lições de Deus.

Lendo o livro “Teologia dos Reformadores”, de Timothy George, há algumas afirmações interessantes sobre Lutero. Segundo o autor do livro, Lutero dizia: “A primeira coisa que peço é que as pessoas não façam uso de meu nome e não se chamem luteranas, mas sim cristãs. Que é Lutero? O ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. […] Como eu, miserável saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome?”

Sobre sua capacidade de transmitir as lições de Cristo presentes na Palavra do Senhor, Lutero traz justificativa muito simples e sólida. Afirmou: “Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz mais nada. E então, enquanto dormia (…), a Palavra enfraqueceu tão intensamente o papado que nenhum príncipe ou imperador jamais fez estrago assim. Não fiz nada. A Palavra fez tudo.”

Lutero dizia reiteradamente que escutar a Palavra de Deus era o suficiente. Argumentava que “Se você perguntar a um cristão qual é sua tarefa e por que ele é digno do nome cristão, não pode haver nenhuma resposta senão que ele ouve a Palavra de Deus, isto é, a fé. Os ouvidos são os únicos órgãos do cristão”.

Vale dizer, a coragem, os argumentos, a sabedoria, entre outras qualidades que fizeram Lutero combater as interpretações da igreja oficial da época, vieram da capacidade deste de ouvir a Palavra de Deus; esta que está disponível em todo lugar no Brasil para nossa livre leitura.

Portanto, a interpretação “nova” das escrituras depois da reforma não veio de Lutero, mas sim através dele, que foi instrumento de Deus para ensinar, orientar e contribuir para perpetuação da sólida Palavra do Senhor até os dias de hoje. Esse é o nosso dever. Basta ouvir! Ouça!

Lucas Banhos – 1 ° Vice Presidente

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